Hipertensão no Pronto Socorro

A queixa é muito frequente nos serviços de Pronto Atendimento. O paciente procura o hospital porque “a pressão está alta”. Nenhum outro sintoma além da medida alterada da pressão arterial. Após realizar uma anamnese e exame clínico dirigidos, você conclui que a única alteração deste paciente é uma PA de 180x110mmHg. O que fazer?

Afastar as emergências hipertensivas

Embora seja considerada por muitos como uma síndrome, as “emergências hipertensivas” são doenças com nome e conduta bem definidos: edema agudo de pulmão, dissecção aórtica, acidente vascular cerebral hemorrágico, infarto agudo do miocárdio, hemorragia subaracnoidea, dentre outras.
A primeira tarefa na avaliação de um paciente hipertenso no PS é buscar os sinais e sintomas das emergências hipertensivas específicas.

Afastar as causas secundárias de hipertensão

Dor, ansiedade, uso de álcool e drogas ilícitas, além de excesso de substâncias estimulantes (café, energéticos, chás) e drogas lícitas, como os anfetamínicos, podem levar a elevação secundária da pressão arterial.
Nestes casos, o tratamento da causa de base levará à resolução dos sintomas e redução dos níveis pressóricos.

E nos pacientes com PA elevada sem nenhum sintoma?

Esta é uma área onde existe grande discrepância de condutas entre os médicos. A falta de estudos bem conduzidos torna difícil a produção de recomendações claras e padronizadas.
Em uma revisão da literatura realizada pelo American College of Emergency Physicians e publicada em 2013, foram analisados pacientes com mais de 18 anos que procuram o PS com queixa de pressão alta, sem sinais ou sintomas de lesão aguda de órgão-alvo, com medida de PA sistólica maior que 160mmHg ou diastólica maior que 100mmHg.
Baseados principalmente em estudos observacionais, cujos resultados não conseguiram demonstrar benefício concreto na prática do rastreamento sistemático de lesões de órgão-alvo nem do tratamento agudo da hipertensão, o ACEP faz duas recomendações principais:

  • Em pacientes com hipertensão assintomática, o rastreamento de lesões de órgão-alvo não é recomendado de rotina.
  • Em pacientes com hipertensão assintomática, não é necessário realizar nenhuma intervenção médica de urgência.

Além destas recomendações baseadas na literatura, duas recomendações foram feitas por consenso: pacientes com hipertensão assintomática devem ser encaminhados para seguimento ambulatorial; e em populações selecionadas, como pacientes sem seguimento médico regular, a terapia de controle de longo prazo pode ser iniciada no PS.

Conclusões

Muita pesquisa ainda deve ser realizada para definirmos com clareza o manejo ideal dos pacientes hipertensos no PS.
Devemos ter em mente que não há indícios na literatura que evidenciem benefício do tratamento agudo da PA elevada assintomática, enquanto os efeitos colaterais do uso incorreto dos anti-hipertensivos são bem conhecidos.
Estas recomendações do ACEP dão importante suporte à conduta conservadora no Pronto Socorro, enfatizando a prioridade de garantir um seguimento ambulatorial precoce a estes pacientes para melhor avaliação e controle do risco cardiovascular de longo prazo – este sim, claramente estabelecido na literatura.

Referências

  1. Wolf SJ, Lo B, Shih RD, Smith MD, Fesmire FM. Clinical policy: critical issues in the evaluation and management of adult patients in the emergency department with asymptomatic elevated blood pressure. Ann Emerg Med. 2013;62(1):59–68. (Pubmed)

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