Escalas para avaliação de risco cardíaco perioperatório

A avaliação do risco de complicações cardíacas é um dos componentes mais importante durante a avaliação pré-operatória. Esta estimativa pode ser realizada através da anamnese e do exame clínico na maior parte das situações.

Quem tem alto e quem tem baixo risco?

A classificação mais aceita é a da American Heart Association, que define os grupos abaixo:

  • *alto risco*: taxa esperada de complicações cardíacas < 1%
  • *baixo risco*: taxa esperada de complicações cardíacas ≥ 1%

Como estimar o risco?

Como sempre, anamnese e exame clínico completos são fundamentais para nossa estimativa. Com estes dados, poderemos encaixar o paciente entre os grupos abaixo:

Cirurgias de urgência e emergência

São cirurgias em que existe risco de morte ou perda de membro iminente, em até 6h (emergência) ou 24h (urgência). Todos os pacientes destas categorias estão sob alto risco de complicações cardíacas.

Pacientes com doenças cardíacas ativas

Este grupo de pacientes também apresenta alto risco de complicações, sendo normalmente contra-indicada a cirurgia eletiva até a investigação e compensação da doença cardíaca.

Há quatro grupos principais de doenças cardíacas ativas: síndromes isquêmicas instáveis, arritmias descontroladas, insuficiência cardíaca descompensada e valvopatias graves.

Ativas
Ativas

Todas as doenças deste grupo podem ser suspeitadas através da história e exame clínico, não sendo necessário realizar investigações de rotina em pacientes assintomáticos sem alterações ao exame clínico.

Escalas de risco

Para os pacientes que não se encaixam nos grupos de risco acima, será necessário o uso de uma escala de risco. As duas utilizadas de forma mais ampla são as escalas de Lee e Gupta.

Escala de Lee – basta somar o número de fatores de risco da escala. Pacientes com 0 ou 1 fator são considerados de baixo risco, enquanto aqueles com 2 ou mais são considerados de risco elevado.

Escala de Gupta – deve-se inserir os dados da tabela abaixo em uma calculadora, que está disponível online ou em dispositivos iOS e Android. A própria calculadora fornece a estimativa de eventos.

Escalas
Escalas

Uma discussão mais detalhada sobre estas escalas pode ser encontrada na seção “Escalas de risco perioperatório”.

Estratificação não invasiva

A estratificação de risco não invasiva consiste no uso de exames como teste ergométrico, cintilografia miocárdica e ecocardiograma com estresse físico ou farmacológico para tentar estimar de forma mais detalhada o risco de complicações perioperatórias.

Enquanto as estimativas clínicas podem ser feitas de forma imediata à beira do leito ou durante a consulta, os exames de estratificação não invasiva adicionam custo e tempo à avaliação pré-operatória. Só devem ser considerados se seus resultados forem mudar as decisões em relação à programação da cirurgia, levando por exemplo à suspensão ou adiamento do procedimento, ou mudança da técnica cirúrgica.

Outro ponto importante a ser considerado é que a revascularização miocárdica não é recomendada com o único objetivo de reduzir o risco cardíaco perioperatório. Portanto, exames de estratificação não invasiva não devem ser pedidos apenas para este fim.

Em resumo

A estimativa do risco cardíaco depende fundamentalmente da anamnese e do exame clínico. Alguns subgrupos de pacientes apresentam risco intrinsicamente elevado; os demais devem ser avaliados por meio de escalas de risco. A estratificação não invasiva tem poucas vantagens adicionais e só deve ser realizada quando seus resultados forem mudar a conduta clínica.

Referências

  1. Fleisher LA, Fleischmann KE, Auerbach AD et al. 2014 ACC/AHA Guideline on Perioperative Cardiovascular Evaluation and Management of Patients Undergoing Noncardiac Surgery: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines. J Am Coll Cardiol. 2014;64(22):e77-e137. doi:10.1016/j.jacc.2014.07.944;

  2. Gupta K, Gupta H, Sundaram A et al. Development and Validation of a Risk Calculator for Prediction of Cardiac Risk After Surgery. Circulation. 2011;124:381–387.

  3. Lee T, Marcantonio E, Mangione C et al. Derivation and prospective validation of a simple index for prediction of cardiac risk of major noncardiac surgery. Circulation. 1999;100:1043–1049.

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