Avaliação clínica pré-operatória

Objetivos

Ao cogitar a realização de um procedimento cirúrgico, todo cirurgião realiza de forma subjetiva uma avaliação clínica para tentar estimar os riscos e benefícios daquela intervenção. Muitas vezes os riscos de complicações são muito pequenos em relação aos benefícios potenciais do procedimento – a cirurgia é indicada e realizada sem necessidade de avaliação mais detalhada.

Para pacientes idosos, com múltiplas comorbidades e candidatos a procedimentos de maior complexidade, os riscos de descompensação clínica aumentam de forma progressiva. Nestes casos, uma avaliação clínica estruturada pode diminuir o risco de complicações, mantendo os benefícios da intervenção cirúrgica.

Avaliação clínica estruturada

O objetivo da avaliação clínica estruturada é a identificação dos riscos potenciais de descompensação pós-operatória, em especial:

  • complicações cardíacas
  • tromboembolismo venoso
  • Delirium
  • lesão renal aguda
  • descompensação das doenças de base

A identificação destes riscos depende fundamentalmente da anamnese e do exame clínico detalhados do paciente. Os exames complementares raramente mudam a estratificação de risco.

História e exame clínico

  • Procedimento proposto, data e duração aproximada
  • História da doença que levou à indicação do procedimento
  • Sintomas atuais – em especial sintomas de cardiopatia não identificada previamente
  • Comorbidades conhecidas
  • Medicações em uso
  • Antecedentes cirúrgicos e anestésicos (buscar complicações cirúrgicas prévias)

Grau de independência para atividades de vida diária

Permite avaliar de forma objetiva a funcionalidade prévia do paciente, para que possam ser traçadas metas realistas em relação à intervenção proposta. Também possibilita o planejamento dos cuidados domiciliares necessários após a alta, já que muitos pacientes adquirem dependência transitória ou permanente para as atividades de vida diária no período pós-operatório.
As escalas para atividades básicas (Katz) e instrumentais (Lawton) de vida diária foram adaptadas para este fim no nosso serviço.

Capacidade funcional em Taxa de Equivalente Metabólico (METs)

O grau de atividade física que o paciente consegue realizar sem sintomas limitantes se correlaciona inversamente com o risco de complicações pós-operatórias.

  • 1 MET – repouso
  • 4 METs – subir dois lances de escada ou andar quatro quarteirões
  • 7 METs – realizar trabalhos domésticos pesados
  • 10 METs – prática de esportes como futebol, basquete e tênis

Anamnese
Anamnese estruturada do grupo de Interconsulta

Riscos específicos

Os riscos de complicações cardíacas, profilaxia de tromboembolismo venoso, Delirium e lesão renal aguda são analisados de forma sistemática na avaliação clínica pré-operatória.

Riscos

Referências

  1. Fleisher LA, Fleischmann KE, Auerbach AD et al. 2014 ACC/AHA Guideline on Perioperative Cardiovascular Evaluation and Management of Patients Undergoing Noncardiac Surgery: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines. Circulation. 2014;Pubmed
  2. II Diretriz de Avaliação Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol 2011; 96(3 supl.1): 1–68. PDF
  3. Katz S, Akpom CA. A measure of primary sociobiological functions. Int J Health Serv. 1976;6(3):493–508. Pubmed
  4. Lawton MP, Brody EM. Assessment of older people: self-maintaining and instrumental activities of daily living. Gerontologist. 1969 Autumn;9(3):179–86. Pubmed
  5. Reilly DF, McNeely MJ, Doerner D et al. Self-reported exercise tolerance and the risk of serious perioperative complications. Arch Intern Med. 1999 Oct 11;159(18):2185–92. Pubmed
  6. Biccard BM. Relationship between the inability to climb two flights of stairs and outcome after major non-cardiac surgery: implications for the pre-operative assessment of functional capacity. Anaesthesia. 2005 Jun;60(6):588–93. Pubmed
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